Amigos, tenho andado sumida, sumidinha, eu sei... é a vida real que me consome! Mas sinto saudades de compartilhar com vocês as coisas bonitas que encontro.
Recebi um presente lindo de um grande amigo: o último livro de poemas do Mia Couto. Chama-se Idades, Cidades, Divindades e foi publicado no ano passado.
Divido com vocês um dos poemas, chamado Rosa, lindíssimo!

Não ascendo a rosa.
Fico por espinho, crosta, remorso.
Lição do gesto
de quem retira a mão,
gotejando sangue,
em castigo
de querer possuir
a beleza da flor.
Me sufoca o ser,
me assuta o querer ser.
O que mais quero ter
é a impossibilidade do ter.
Um comentário: sabem aquelas frases que tornam-se lapidares e acabam circulando por aí, às vezes até se perdendo do autor? Estes quatro últimos versos são um exemplo. Penso que circularão muito!